CMPEm 1992 o estratego James Carville cunhou uma ligeira variação da frase "It's the economy, stupid". Nessa altura, Carville tentava realçar a importância que a economia então manca dos Estados Unidos devia ter no temário central da campanha do então candidato Bill Clinton às eleições presidenciais de 1992. Embora originalmente dirigida internamente aos colaboradores da campanha, a frase de Carville, "The economy, stupid!", extravasou e acabou por se tornar o slogan de facto de toda a vitoriosa campanha de Clinton.

Pois bem. Penso que ninguém discordará de mim se começar por dizer que para a nossa capital, o slogan devia ser, desde há já vários anos, este: “Criação de solo urbano, idiota!

O PDM é uma lei. Define o zoneamento e a atribuição de usos aos terrenos, INDEPENDENTEMENTE DE QUEM SEJA O DONO DESSES TERRENOS. Quando a CMP tem uma lista com mais de duas décadas de idade, de mais de 23.000 pedidos de lotes para os munícipes poderem construir a sua habitação, e estando baldios todos estes planaltos à volta da cidade, por que razão todos os Presidentes da CMP têm dito que não há terreno, justamente quando o PDM é que é a ferramenta legal para se produzir esses lotes? Da habitação de qualidade em zonas seguras, passando por novas centralidades (turísticas, financeiras, industriais, culturais e de lazer, parques urbanos, etc.), não é possível começar a resolver os problemas da capital sem criação de (muito) solo urbano, num competente PDM, responsável e visionário.

Esta incapacidade crónica da nossa capital em definir o que quer ser no futuro, aliada à gestão eleitoralista cíclica dos 4 anos de cada mandato, em que todos os presidentes de Câmara que já teve tinham os olhos noutros poleiros, nomeadamente, Presidência da República ou Chefia de Governo (como diria em 2000, o meu amigo Avelino Bonifácio Lopes: “Câmara é mochu pa subi mesa!”) acabou por criar a actual situação em que a cidade é uma porcalhota urbanística que obriga 80% da sua população a viver em encostas de declives proibidos e linhas de água, uma espada de Dâmocles sobre a cabeça de muitos cidadãos inocentes que hoje estão protegidos apenas pela misericórdia de Deus.

Até quando? Não o sabemos, mas ninguém tenha dúvidas: O dia em que finalmente CHOVER na capital de Cabo Verde trará uma catástrofe indescritível.

Recentemente, o Primeiro Ministro de Cabo Verde veio dizer que os mandatos dos políticos deviam ser, no máximo, dois. Ele é que sabe de si, mas com a devida vénia, e para o caso da nossa capital, ele está completamente enganado. Os problemas da nossa capital somente podem ser resolvidos em várias décadas e isto, se e quando ela finalmente tiver a sorte de conseguir na CMP um LÍDER a sério. O estado lastimável da nossa capital deixa claro que no quesito da liderança temos falhado redondamente!

Vem tudo isto a propósito da oportunidade de ouro que a CMP, do MpD, e o Governo Central, do PAICV criaram com o Memorandum de Entendimento de 2009. Para nossa desgraça, o Presidente da CMP vergonhosamente recuou, dando o dito por não dito, mas indubitavelmente fica no ar a questão: E se...?

E se tivessem aproveitado para fazer um PDM conjunto para a Praia, justamente eles que haviam levado 16 anos a tentar fazer um, sem sucesso?

E se tivessem colocado transparentemente sobre a mesa, perante a opinião pública todos os projectos e respectivos promotores, para toda essa zona que vem da Quebra-Canela passando pela Gamboa, Taiti, Parque 5 de Julho, etc., apresentando aos praienses as contrapartidas adequadas e justas, que verdadeiramente significassem ganhos concretos e palpáveis para a cidade e os seus habitantes?

E se, tomando o gosto à coisa, tivessem os dois partidos do arco da governação acertado outros pactos de regime em todas as áreas críticas de governação (economia, turismo, educação, saúde, ambiente, ordenamento do território...), onde é que não estaríamos hoje em termos de efectivo e real progresso, como Nação?

E se tivessem persistido com tal abordagem, que necessariamente levaria à despartidarização da vida nacional e a uma muito maior qualidade das decisões da nossa classe política, ganhando ela, com isso, a estima dos caboverdeanos? Porventura estariam hoje tão desacreditados, como ficaram, depois do veto presidencial ao ETCP? Haveria tal veto?

E se...?

Os militantes do MpD não gostarão disto mas têm obrigação de saber que o meu discurso nunca muda. Eles mesmos me aplaudiam e felicitavam quando, nos idos de 2006 e 2007, eu dizia a mesma coisa da gestão que então o PAICV fazia na capital do país. Infelizmente, o Dr. Ulisses acabou por se revelar pior do que o seu antecessor simplesmente porque SABIA o que era correcto e adequado fazer em termos de gestão séria, responsável e transparente. Tanto sabia que a praticou durante dois anos.

Ora, ao inverter a marcha, recuperando negociatas do seu antecessor que ele mesmo havia condenado, e renegociando-as dois anos depois com a desculpa de que eram compromissos herdados sagrados, imitou o cão que volta para comer o seu próprio vómito e o porco lavado que volta ao espojadouro de lama. Com isso, consciente e lamentavelmente se tornou o mais desonesto Presidente que a CMP já teve até hoje.

E depois, há ainda a questão dos dinheiros:
De 2008 a esta parte, a CMP tem 47.500 contos para justificar, apenas nesta saga do PDM:
- 35.000 contos do contrato assinado(?) com o consultor/Vereador em 2008;
- 7.500 contos pagos à ParqueExpo para a elaboração do Plano Detalhado que mais tarde descartou, “na discontra...
- 5.000 contos atribuídos pelo MAHOT e que obviamente deveriam constar de um segundo contrato assinado(?) igualmente com o consultor/Vereador em 2011, salvo erro;

É ou não é corrosiva a solução de Ulisses para a Praia?

©2018 - http://nanindipala.net - Cipriano Fernandes

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