Tempos tormentosos

Triste altura esta que “escolhi” para reavivar o meu blog.

No entanto, essa era uma tarefa que já havia decidido executar há já muito tempo, uma vez que não convinha que os meus textos de opinião, produzidos nos últimos seis anos (todos eles publicados em jornais da praça) continuassem desgarrados e perdidos por aí na Net, e com isso desaparecendo igualmente o fio condutor e de interligação entre eles. Este blog que, reconheço-o, tem tido uma existência muito irregular, recupera-os e tal recuperação marca o início de uma nova fase.

Uma nova fase que infelizmente coincide com uma altura de pânico mundial pela pandemia do coronavírus COVID-19 que hoje, 23 de Março de 2020, já conseguiu pôr de joelhos não somente a economia mundial mas também e sobretudo, a organização social do mundo, pois é claro que este nunca mais voltará a ser o mesmo, se a humanidade conseguir se salvar desta peste.

Com os países mais ricos e poderosos do mundo os primeiros a ser atingidos e sendo previsível que com mais ou menos dificuldades vão conseguir vencer a pandemia (neste preciso momento que escrevo este texto, a Itália já regista o terceiro dia da tendência de diminuição do número de falecimentos por dia), a atenção de todos nós vai se centrando na África e na América Latina, zonas do mundo que albergam mais de um bilhão e meio dos habitantes mais pobres e vulneráveis, que vivem em slums e bairros de lata que não permitem qualquer tipo de quarentena.

Sabendo que a OMS já recomenda que a única via de contenção da pandemia é a despistagem (testes sistemáticos) e o isolamento absoluto, é fácil ver que possivelmente haverá uma perda de vidas humanas muito grande nessas regiões, nos próximos tempos.

Evidentemente, não é possível deixar de pensar no caso cabo-verdiano… Baka sem rabu…

E eu, que já havia decidido mudar um pouco o meu estilo de escrita, suavizá-lo um pouco para o tornar mais representativo da nossa morabeza, mais sensibilizado nesse sentido fiquei com a pandemia e os seus efeitos já muito trágicos sobre a humanidade.

De modo que este primeiro texto (depois de meses de interregno e de intermitência pouco consentâneos com a paixão com que vivo o meu país), marca não somente o início de uma produção mais regular de artigos sobre os temas mais cadentes e/ou mais transcendentes para a construção de um país que se deseja justo, sustentável e próspero, mas também a criação e consolidação de um espaço de promoção de diálogo técnico, social, político em prol do desenvolvimento da nossa terra.

Todos são bem-vindos a este espaço e todos serão tratados com muito carinho, independentemente das suas inclinações políticas ou outras…

Este blog está estruturado para receber comentários dos leitores e o meu desejo e projecto é que consigamos fazer, nos respectivos espaços de comentários, reflexões profundas sobre os temas que trarei aqui versando sobre as preocupações que me vão na alma, mas evidentemente abordarei outros que os leitores acharem pertinentes, sempre com o objectivo maior de pensarmos colectivamente o nosso Cabo Verde, tirando as lições necessárias do passado para que garantir um futuro diferente, para melhor.

Tudo deverá no entanto acontecer nas supremas regras do respeito mútuo e civismo. Daí ser necessário moderar os comentários antes de serem publicados.

A única constante que se manterá é a minha independência, da qual sou cioso e nunca abrirei mão.

De modo que na senda da pandemia deste coronavírus, este é tempo de curar, e não de abrir feridas.

Muitos textos que estão neste arquivo versam temas que na altura em que foram abordados podiam parecer ter muita relevância, e a tinham, de certo modo. A verdade, porém é que eu de hoje tivesse que os escrever de novo, a abordagem e o estilo seriam um pouco diferentes, sem no entanto os amputar de alguma maneira.

Vamos, pois, conversar Cabo Verde?

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